
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), informou que o Supremo Tribunal Federal (STF) não respondeu ao pedido do colegiado para que a Corte informasse em até dois dias úteis com quem estava o número de celular do Tribunal que foi contatado pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A solicitação foi encaminhada à diretora-geral do Supremo, Desdêmona Tenório de Brito Toledo Arruda, na última quinta-feira (19). O número de telefone do ofício seria do ministro Alexandre de Moraes, que nega ter sido o destinatário das mensagens de Vorcaro.
Diante do silêncio da Corte perante o questionamento da CPMI, Viana informou que oficiará diretamente o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin.
– Nós não recebemos ainda a resposta oficial do Supremo Tribunal Federal. E, dado o prazo, não havendo uma manifestação nós vamos oficiar o ministro Edson Fachin, que é o presidente da Casa, por se tratar de um número público que estava à disposição do Supremo pago com dinheiro público. É preciso que se identifique quem estava usando – declarou o senador a jornalistas nesta segunda-feira (23).
ENTENDA
Vorcaro está preso acusado de liderar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master. As autoridades veem indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Também suspeitam que diversas figuras da política, empresariado e do judiciário estejam envolvidas.
Segundo as investigações, o esquema consistia na criação e comercialização de títulos de crédito sem lastro – ou seja, ativos e dívidas que não tinham garantia real ou sequer existiam – usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O objetivo era fazer a instituição parecer mais sólida e lucrativa do que realmente era, esconder fragilidades financeiras e continuar captando dinheiro no mercado.
Com esse patrimônio inflado, o banco passou a oferecer investimentos com rendimentos até 40% superiores aos praticados no mercado, o que atraía investidores em busca de retornos mais altos. Segundo as investigações, porém, o banco não tinha base financeira real para sustentar esses pagamentos. O esquema começou a ruir quando o Banco Central do Brasil identificou inconsistências nos balanços da instituição e determinou a liquidação extrajudicial do Master.
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