
Durante pronunciamento realizado nesta segunda-feira (6) na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a necessidade de uma condução vigilante da política monetária brasileira. O economista enfatizou que o momento exige uma postura ponderada para garantir que as resoluções sobre a taxa de juros sejam tomadas com maior embasamento diante do panorama atual.
Ao falar de improviso, o chefe da autoridade monetária sublinhou a recorrência de termos específicos em suas comunicações recentes. “No BC, usei a palavra ‘cautela’ mais vezes do que usei em toda a minha vida. Cautela acompanhada de serenidade”, declarou Galípolo. Ele explicou que essa busca por equilíbrio é fundamental para compreender as nuances do mercado e viabilizar escolhas “mais seguras”.
Segundo a avaliação de Galípolo, a adoção de estratégias preventivas tem sido benéfica para o país, permitindo que o Brasil atravesse sucessivos impactos na oferta desde 2020 de maneira “mais confortável”. Esse cenário de estabilidade relativa, conforme apontado pelo presidente do BC, reflete-se em um crescimento econômico alinhado ao potencial do país e em uma taxa de câmbio sem sobressaltos excessivos. Todavia, ele ponderou que nem todos os indicadores são favoráveis:
“De outro lado, o mercado de trabalho segue apertado e as expectativas de inflação já estavam desancoradas”, afirmou.
Essa linha de raciocínio já havia sido manifestada por ele na semana anterior, consolidando a percepção de um Banco Central mais conservador. O planejamento original da instituição sofreu impactos diretos devido às tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, iniciadas entre fevereiro e março. O conflito resultou na valorização do petróleo, o que gera o risco de um efeito cascata nos preços dos combustíveis e, consequentemente, uma pressão inflacionária que não estava prevista inicialmente.
Embora o BC tivesse sinalizado em janeiro o início de uma trajetória de queda para a Selic, que se encontra em 14,75% ao ano, patamar recorde nas últimas duas décadas que causou o estancamento da economia no fim de 2025, o cenário de guerra trouxe dúvidas aos analistas. Em março, mesmo com a disparada dos combustíveis, o Copom optou por reduzir a taxa, mas em um ritmo menor do que o mercado previa antes do conflito: 0,25 ponto percentual, em vez dos 0,5 ponto esperados.
Essa alteração de rota reflete-se também nas previsões do mercado financeiro. O Boletim Focus desta segunda-feira mostra que os analistas agora estimam que a Selic encerre o ano em 12,5%, contra os 12% previstos anteriormente. O ajuste acompanha a deterioração das expectativas para o IPCA. Antes do início das hostilidades no exterior, a inflação estimada era de 3,91%; agora, as projeções para 2026 subiram para 4,36%, aproximando-se do limite máximo de tolerância da meta, estabelecido em 4,5%.
DIÁRIO DO PODER

