BRB vai para o confronto e aciona ex-cúpula por fraude bilionária

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Sede do BRB. (Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília).

PEDRO TAQUARI

O Banco de Brasília (BRB) adotará medidas judiciais duras para buscar o ressarcimento e a punição de ex-administradores envolvidos nas irregularidades do chamado “caso Banco Master”.

A confirmação foi feita pelo atual presidente da instituição estatal, Nelson Antônio de Souza, durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

O foco central da nova gestão é a blindagem do patrimônio público e a responsabilização civil de quem causou prejuízos à estrutura financeira.

Durante o depoimento aos senadores, o chefe do executivo do BRB assegurou que o banco ingressará com ações de irresponsabilidade civil contra todos os ex-gestores que participaram ou facilitaram as operações fraudulentas.

O atual comando enfatizou que nenhum dos investigados ou citados nos relatórios de auditoria integra a presente administração da estatal, de modo que a instituição agora colabora ativamente com os órgãos de controle para corrigir as severas vulnerabilidades herdadas de gestões anteriores.

A ofensiva jurídica fundamenta-se nos resultados de uma auditoria independente conduzida pela consultoria Kroll e pelo escritório de advocacia Machado Meyer.

O relatório final detalhou a participação de cerca de 30 gestores na aquisição de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas, vinculadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No total, a ingerência e as operações ruinosas provocaram perdas estimadas em R$8,8 bilhões para o banco mantido pelo governo do Distrito Federal.

Como desdobramento das auditorias e corregedorias internas, o BRB instaurou mais de 20 processos administrativos para apurar a conduta de funcionários de carreira, encaminhando também os casos dos dirigentes de alto escalão para a Corregedoria-Geral do Distrito Federal.

Paralelamente, o banco obteve o bloqueio judicial de 23,5% das ações da própria instituição que haviam parado nas mãos de fundos ligados ao grupo do antigo Banco Master e da gestora Reag, impedindo que os envolvidos no escândalo tivessem direito a voto ou controle sobre os ativos remanescentes.

As investigações ganharam tração nacional a partir da deflagração da Operação Compliance Zero, executada pela Polícia Federal, que culminou na prisão e no afastamento do ex-presidente da estatal, Paulo Henrique Costa.

A apuração policial identificou fortes pressões políticas e administrativas internas para a efetivação dos negócios nocivos com o grupo financeiro privado, que acabou sofrendo liquidação extrajudicial pelo Banco Central.

A atual governança do BRB reforçou perante o Senado Federal que os esforços estão concentrados em restabelecer a segurança jurídica, os índices regulatórios de capitalização e a transparência operacional da companhia, visando isolar o banco público dos impactos sistêmicos gerados pelas condutas irregulares de seus antigos gestores.

DIÁRIO DO PODER

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