
As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em suas diretrizes que permite aos fiéis utilizar o próprio sangue em cirurgias programadas, desde que ele seja previamente retirado e armazenado. A mudança mantém, no entanto, a proibição de transfusões com sangue de outras pessoas.
A nova regra abre espaço para técnicas médicas em que o paciente doa sangue antes de uma cirurgia e utiliza o material posteriormente. O uso permanece restrito ao próprio sangue, sem envolvimento de doadores externos.
Apesar da flexibilização, a crença sobre a santidade do sangue segue inalterada. Um porta-voz reforçou à BBC que a base doutrinária do grupo permanece a mesma, apoiada em interpretações bíblicas que determinam a abstenção de sangue.
A recusa ao uso de sangue se baseia em textos do Velho e Novo Testamento que consideram o sangue sagrado e associado à vida, como Gênesis 9:4 e Atos 15:20. A prática voluntária de transfusões externas, sem arrependimento, pode levar à desassociação, afastando socialmente o indivíduo do grupo.
O movimento reúne cerca de nove milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil. Em setembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Testemunhas de Jeová têm direito de recusar transfusões e que o SUS deve oferecer alternativas terapêuticas, mesmo fora do local de residência do paciente.

