Cerimônia do 4º Prêmio Engenho Mulher será realizada nesta segunda

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Vencedoras desta edição, Ana Paula Bernardes, ao centro da foto, Anabele Gomes, à esquerda e Cristiane Sobral, à direita. (Foto: Divulgação
MAEL VALE

A cerimônia de entrega do 4º Prêmio Engenho Mulher – Reconhecimento a quem nos Transforma será realizada nesta segunda-feira (25), no Museu de Arte de Brasília, reunindo convidadas, jornalistas, representantes da sociedade civil e lideranças femininas do Distrito Federal.

A premiação destaca mulheres que promovem impacto social por meio da educação, da cultura e da sustentabilidade.

As vencedoras desta edição são Ana Paula BernardesAnabele Gomes e Cristiane Sobral. Apesar de trajetórias distintas, as três homenageadas têm em comum a atuação voltada à transformação social por meio do conhecimento e da formação cidadã.

Idealizado pela jornalista Kátia Cubel, o prêmio busca reconhecer iniciativas lideradas por mulheres que impactam comunidades do Distrito Federal. Segundo ela, a edição de 2026 evidenciou o papel da educação como ferramenta de mudança estrutural.

“Nesta edição temos a feliz coincidência de destacar mulheres que contribuem com uma transformação perene, que é a educação, especialmente em regiões onde o acesso a recursos para transformação social e o incremento à cidadania ainda podem ser escassos”, afirmou Kátia.

As vencedoras foram escolhidas entre mais de 30 indicadas por um júri composto exclusivamente por jornalistas mulheres: Basília RodriguesCláudia MeirellesMárcia ZarurNeila MedeirosPaola Lima e Sibele Negromonte.

Educação e leitura na periferia

Uma das homenageadas, Ana Paula Bernardes, é professora da rede pública e fundadora da Biblioteca Comunitária Roedores de Livros, criada em 2006 na Ceilândia. O projeto funciona no Shopping Popular da região e oferece acesso gratuito à literatura infantil e juvenil, além de oficinas, contação de histórias e mediação de leitura.

Com um acervo superior a 5 mil livros, a iniciativa se consolidou como referência nacional em incentivo à leitura e impacto social. Em parceria com a Universidade de Brasília, o projeto desenvolve ações de extensão voltadas à formação de mediadores de leitura.

Para Ana Paula, a literatura continua sendo essencial na formação de crianças e adolescentes.

“A leitura oferece outro tempo, outro tipo de encontro e uma forma sensível de ampliar repertórios, fortalecer pertencimentos e ajudar cada criança a se reconhecer como alguém que tem voz, história e lugar no mundo”, destacou.

Sementes que regeneram o Cerrado

A bióloga Anabele Gomes também será reconhecida pelo trabalho desenvolvido à frente da Rede de Sementes do Cerrado, iniciativa que reúne comunidades tradicionais, agricultores familiares e quilombolas em ações de restauração ambiental do bioma Cerrado.

Pesquisadora da Universidade de Brasília, Anabele atua na articulação de redes de coleta de sementes nativas, promovendo geração de renda e fortalecimento comunitário. Segundo ela, o trabalho vai além da preservação ambiental.

“A semente traz renda, mas também traz autoestima, pertencimento e rede. Em muitos grupos, as mulheres contam que a coleta ajudou até em processos de depressão”, afirmou.

Literatura, arte e resistência

A escritora e dramaturga Cristiane Sobral completa a lista de vencedoras da edição 2026. Nascida no Rio de Janeiro e radicada em Brasília, ela é considerada uma das principais vozes da literatura negra contemporânea brasileira.

Autora de 13 livros, Cristiane ganhou projeção nacional com obras como Não Vou Mais Lavar os Pratos, adotado pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB, além de Pretos em Contos e Como Não Ser Racista.

Primeira atriz negra formada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília, Cristiane também atua como professora da Secretaria de Educação do DF e integra a Academia de Letras do Brasil.

“Representa a realização de sonhos antigos materializados por meio da educação, da arte e da literatura”, declarou a escritora ao comentar o reconhecimento.

Nesta edição, o prêmio conta com patrocínio da Fibra, do programa Glass is Good e de Alves Correa & Veríssimo Advogados Associados, além do apoio do Sebrae-DF, Boulevard Shopping, Secretaria de Economia Criativa e do Museu de Arte de Brasília.

DIÁRIO DO PODER

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