
O Rio Grande do Sul concentra cerca de 89% das reservas de carvão mineral do Brasil e abriga um ativo bilionário que há décadas permanece praticamente parado. No centro desse debate está a Mina do Leão II, em Minas do Leão, empreendimento que recebeu investimentos públicos e privados robustos, teve estrutura instalada e nunca entrou em operação comercial.
Agora, em meio ao aumento da demanda global por energia, às incertezas geopolíticas e à dependência brasileira de fertilizantes importados, o carvão gaúcho voltou ao centro das discussões econômicas. Um dos principais defensores dessa retomada é Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável, que tem percorrido eventos empresariais, fóruns do setor energético e debates públicos defendendo uma nova estratégia para o mineral gaúcho.
A principal tese dele é simples: o Rio Grande do Sul está deixando uma riqueza estratégica parada enquanto o mundo rediscute segurança energética e soberania industrial.
Em palestras recentes, Zancan tem repetido que o Estado “está sentado em cima do seu futuro”. Para ele, o debate sobre carvão no Brasil ainda é tratado de forma simplificada, focado apenas na geração elétrica tradicional, enquanto outros países utilizam o minério em cadeias industriais mais sofisticadas.
A defesa ganhou força após a aprovação da Lei 15.269/2025, que prorrogou até 2040 a operação de termelétricas movidas a carvão nacional, garantindo sobrevida a complexos como a usina de Candiota e reabrindo discussões sobre novos investimentos no setor.
Segundo a Companhia Riograndense de Mineração, a Mina do Leão II possui uma estrutura que inclui dois túneis subterrâneos, aproximadamente seis quilômetros de galerias, silos internos, poço de ventilação com mais de 200 metros de profundidade e prédios industriais. O investimento acumulado supera R$ 1 bilhão em valores atualizados. As reservas estimadas giram em torno de 120 milhões de toneladas, com potencial de produção de até 1 milhão de toneladas por ano.
Para os defensores da retomada, manter esse patrimônio sem utilização representa desperdício de recursos públicos e perda de competitividade.
A discussão, porém, vai além da geração elétrica.
Zancan passou a defender com mais intensidade o uso do carvão como matéria-prima para produção de fertilizantes nitrogenados, tema que dialoga diretamente com o agronegócio brasileiro.

