Vídeo de aliado de Flávio Dino sugere intimidação a adversários

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Deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), aliado do ministro do STF Flávio Dino.

REDAÇÃO

Circula no Maranhão um vídeo que se soma a uma sequência de episódios que, ao longo dos últimos anos, contribuíram para um ambiente de tensão política e institucional no Estado. Veja o vídeo abaixo.

As imagens mostram um grupo restrito de lideranças ligadas ao chamado “dinismo”, que segue a liderança política de Flávio Dino, entre elas o deputado Márcio Jerry (MA), presidente estadual do PCdoB, cantando um samba cuja letra faz referência a castigo, traição, choro e vingança. Nos bastidores políticos, o conteúdo foi interpretado como provocativo e intimidante.

Márcio Jerry é aliado do ex-governador e atual ministro do STF Flávio Dino. A relação entre ambos é pública e direta: a esposa do ministro está nomeada no gabinete do parlamentar.

O episódio ocorre em um contexto já conhecido da política maranhense. Nos últimos anos, esse mesmo grupo — formado basicamente por Márcio Jerry, o deputado estadual Othelino Neto, marido da senadora Ana Paula Lobato (que assumiu a vaga no Senado em substituição a Dino), além dos deputados estaduais Carlos Lula e Rodrigo Lago — passou a judicializar disputas políticas, deslocando conflitos do campo político para o Judiciário.

Esses embates foram levados ao Supremo Tribunal Federal, incluindo o impasse envolvendo as vagas do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. O processo permanece sob relatoria do próprio Flávio Dino há quase dois anos, com duas cadeiras de conselheiro em aberto. No caso, tanto a Advocacia-Geral da União quanto a Procuradoria-Geral da República se manifestaram pela perda do objeto da ação. No curso dessa mesma ação, a Justiça do Maranhão reconheceu a apresentação, por uma advogada oriunda de Minas Gerais, de documentos falsos que embasaram a petição inicial e que acabaram viabilizando a abertura de inquérito na Polícia Federal.

Boatos, lorotas e intimidações

Esse histórico alimentou, ao longo do tempo, sucessivas narrativas de crise, com boatos recorrentes sobre operações policiais, supostas datas para afastamento do governador e insinuações de ruptura institucional.

Além disso, esse ambiente foi reforçado pela divulgação de áudios atribuídos a integrantes do mesmo grupo, nos quais ficam evidentes tentativas de intimidação política direta ao governo de Carlos Brandão. Em uma das gravações, o próprio Márcio Jerry condiciona a manutenção de um “clima de paz” com o governador a gestos políticos concretos, entre eles a cessão de espaços eleitorais estratégicos antes das eleições de 2024, como o município de Colinas.

Em outro áudio, Galdino, ex-assessor direto de Dino e atual secretário executivo do Ministério do Esporte, cita nominalmente o ministro e associa a possibilidade de “zerar o jogo”, pacificar o ambiente político e “esquecer” o caso do Tribunal de Contas à mesma exigência envolvendo Colinas no pleito municipal.

‘Dinistas’: dificuldades eleitorais

Às vésperas do ciclo eleitoral, o vídeo ganha repercussão na mídia maranhense justamente quando setores da oposição — os “dinistas” — reconhecem, nos bastidores, dificuldades reais de viabilidade eleitoral, diante da falta de capilaridade política, da ausência de base no interior do Estado e do distanciamento da estrutura administrativa do governo.

No Maranhão, o episódio não foi interpretado como manifestação cultural ou confraternização privada, mas como mais um sinal de pressão política, inserido em um ambiente já marcado por tentativas reiteradas de intimidação e de retirada de um governador eleito democraticamente do cargo.

DIÁRIO DO PODER

 

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