
A falência do Banco Master transformou-se em uma crise institucional no Brasil, segundo análise da revista britânica The Economist.
De acordo com a publicação, o episódio deixou de ser apenas um problema do mercado financeiro e passou a envolver a política e o Judiciário, resultando em um abalo generalizado da confiança nas instituições do país.
A revista relata que o Banco Central decidiu liquidar a instituição ao identificar falta de liquidez durante uma tentativa de venda ao Banco Regional de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal. Auditores encontraram carteiras de crédito sem valor, e o custo final da quebra recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos, no maior pagamento a depositantes da história brasileira, o que, para a The Economist, expôs falhas graves de supervisão.
O texto também aponta reações políticas ao caso. Um ministro do Tribunal de Contas da União questionou a decisão do Banco Central, enquanto parlamentares do centrão tentaram bloquear investigações e defenderam mudanças legais que afetariam a autoridade monetária. Um procurador ouvido pela revista classificou esse tipo de interferência como “incomum e preocupante”.
As investigações chegaram ao Supremo Tribunal Federal. A The Economist destacou a existência de um contrato de US$ 24 milhões entre o banco e um escritório ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de contatos frequentes entre Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes da liquidação, ambos negaram irregularidades, e a apuração foi arquivada pela Procuradoria-Geral da República.
O ministro Dias Toffoli também é citado em razão de viagens e investimentos ligados ao banco, reforçando críticas públicas. No desfecho, a revista aponta que o presidente do Banco Central manteve a liquidação apesar das pressões, fortalecendo o debate sobre maior autonomia da autoridade monetária.
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