Paes sobe o tom contra o PT e expõe racha político no Rio

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Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). (Foto: Reprodução).
PEDRO TAQUARI

No cenário político do Rio de Janeiro, a oposição entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o secretário de Assuntos Legislativos do governo federal, André Ceciliano (PT), ganhou novos capítulos nos últimos dias em meio às articulações em torno das eleições de 2026 e da possível sucessão no Palácio Guanabara.

A troca de declarações públicas entre os dois dirigentes expõe atritos crescentes dentro da base aliada ao presidente Lula e reflete disputas por protagonismo e alinhamento estratégico para o pleito estadual e nacional.

Paes voltou a criticar abertamente Ceciliano, acusando o petista de articular uma candidatura à eleição indireta para o governo estadual, prevista caso o atual governador Cláudio Castro (PL) desincompatibilizar-se do cargo para disputar uma vaga ao Senado.

Para o prefeito, Ceciliano representaria a continuidade do grupo político do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), afastado e preso sob suspeitas ligadas a vazamento de informações que teriam favorecido organizações criminosas.

O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa”, afirmou Paes em declaração recente, sinalizando resistência a qualquer movimento que possa replicar práticas associadas a esse grupo, e reiterando que não pretende ser “refém” de acordos que, segundo ele, favoreçam interesses questionáveis no estado.

Em resposta, Ceciliano criticou o tom adotado pelo prefeito e negou que esteja buscando qualquer candidatura majoritária em 2026, afirmando que seu nome estaria sendo exageradamente inflado pelo adversário.

Segundo o petista, sua única intenção seria disputar vaga de deputado estadual, embora ele reconheça conversas com parlamentares sobre a eleição indireta.

No embate verbal, Ceciliano também levantou questionamentos sobre o compromisso de Paes com o projeto político nacional, sugerindo que o prefeito estaria dando sinais de neutralidade em relação à reeleição de Lula.

Paes reafirmou publicamente apoio ao presidente, mas enfatizou que não pretende nacionalizar sua própria campanha, o que tem alimentado dúvidas dentro do espectro petista sobre sua lealdade ao projeto partidário.

O pano de fundo da disputa é a provável eleição indireta para governador-tampão no Rio, decorrente da iminente saída de Castro e da ausência de vice-governador após a nomeação de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado.

Nos bastidores, Paes e aliados trabalham para consolidar um nome aliado (com menção ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, do PL) enquanto Ceciliano busca fortalecer sua base para se posicionar politicamente caso tenha votos suficientes na Assembleia Legislativa.

A intensificação das críticas públicas marca uma divergência cada vez mais clara entre o prefeito e setores do PT fluminense, reacendendo debates internos sobre alianças e estratégias eleitorais para 2026 no estado mais competitivo do país.

DIÁRIO DO PODER

 

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