
O professor e especialista em Oriente Médio Samuel Feldberg afirmou que a escalada de tensão envolvendo o Irã, os Estados Unidos e aliados pode provocar impactos significativos na economia global, especialmente no mercado de energia.
Durante entrevista ao Pleno Time desta terça-feira (10), o analista destacou a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o abastecimento mundial de petróleo. Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pela região, o que torna qualquer ameaça de bloqueio um fator de forte instabilidade.
– O Estreito de Ormuz é uma questão fundamental para a economia dos países ocidentais e também para países asiáticos como China e Japão, que são muito pobres em recursos energéticos – explicou.
Feldberg ressaltou que os efeitos da tensão já começaram a aparecer no mercado internacional. De acordo com o analista, não é necessário que o bloqueio ocorra de fato para gerar consequências econômicas.
– Quando as companhias seguradoras ficam preocupadas que o Irã possa atacar navios que passam pelo estreito, as empresas de navegação simplesmente param de transportar petróleo – afirmou.
Para o especialista, a retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou reagir com força caso o Irã tente interromper o fluxo de petróleo na região, funciona como um instrumento de pressão política, mas também pode aumentar o risco de escalada militar.
Segundo Feldberg, um confronto direto poderia elevar o conflito a um patamar ainda mais grave.
– Se essa escalada acontecer, terminais de exportação de petróleo podem ser bombardeados e o Irã pode lançar mísseis contra navios, refinarias e poços de petróleo. Essa guerra iria para um patamar que a gente ainda não viu.
O professor também alertou que os efeitos do conflito tendem a atingir diretamente o bolso da população em diferentes países, inclusive no Brasil. Ele explicou que, mesmo com a produção nacional de petróleo, o preço dos combustíveis acompanha o mercado internacional.
– Se o preço do petróleo aumenta no mundo inteiro, o fato de o Brasil ter o pré-sal não significa que o preço aqui não vai subir – disse.
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