Lula diz que reunião com Trump será ‘livre’ e que ambos vão ‘dizer o que quiser’

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Presidente Lula (PT) e Donald Trump (Republicano) – (Foto: Ricardo Stuckert | Redes Sociais)
JUAN ARAÚJO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta sexta-feira (24), ao final de sua visita de Estado à Indonésia, que se encontrará com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no próximo domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia. O tema central do encontro deve ser a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, conhecida como “tarifaço”, mas Lula adiantou que “não existe veto a nenhum assunto” na reunião.

Lula expressou a expectativa de um diálogo aberto, afirmando que a reunião “vai ser uma reunião livre em que a gente vai pode dizer o que quiser, como quiser, e vai ouvir o que quiser e não quiser também. Estou convencido de que vai ser boa para eles e para o Brasil essa reunião. Vamos voltar a nossa normalidade”.

Além da questão tarifária, o chefe do Executivo indicou o interesse em abordar sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como a Lei Magnitsky e a cassação de vistos, bem como temas de geopolítica envolvendo China, Venezuela e Rússia. Lula reforçou que o objetivo do Brasil é “colocar a verdade na mesa, mostrar que os Estados Unidos não é deficitário, portanto não tem explicação à taxação feita ao Brasil.”

Ele também questionou a legitimidade de punições a autoridades brasileiras sob leis americanas:

“Não tem porque explicar a punição de ministros nossos, de personalidades públicas brasileiras nas leis americanas, não tem nenhuma explicação, porque eles não cometeram nenhum erro, eles estão cumprindo a Constituição do meu País e ao mesmo tempo a política de tributação é uma coisa que depende do Brasil, depende do Congresso Nacional”, declarou o presidente.

O petista criticou a política militar de Trump, defendendo procedimentos legais para lidar com criminosos:

“Você não fala que vai matar as pessoas, você tem que prender as pessoas, julgar as pessoas, saber se a pessoa estava ou não traficando e aí você pune as pessoas de acordo com a lei. É o mínimo que se espera que faça um chefe de Estado”, disse o presidente.

Lula sugeriu que uma cooperação policial seria mais produtiva do que a mobilização das Forças Armadas:

“É muito melhor os Estados Unidos se disporem a conversar com a polícia dos outros países, com o Ministério da Justiça de cada país, para a gente fazer uma coisa conjunta.”

Por fim, o presidente soltou frases polêmicas e estabeleceu uma relação entre traficantes e dependentes químicos, sugerindo o combate ao uso interno como foco: “Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente.

O petista ainda disse que os traficantes seriam “vítimas” dos usuários. 

Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também. Você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra, de gente que compra porque tem gente que vende”, concluiu.

DIÁRIO DO PODER

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