
DAVI SOARES
O deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA) denunciou, ontem (16), que a “esdrúxula decisão” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) de mandar apreender equipamentos de trabalho do jornalista Luís Pablo, no Maranhão, seria um pedido do ministro Flávio Dino, por causa de reportagens que estariam atrapalhando seu suposto projeto de conquistar espaços de poder não apenas em seu antigo reduto eleitoral maranhense, bem como para alcançar um futuro mandato de presidente da República.
“Mas tem outro objetivo essa ação, essa decisão do ministro Alexandre de Moraes, a pedido do ministro Flávio Dino: fazer com que os outros jornalistas fiquem intimidados para não falar mal de ministro do Supremo Tribunal Federal, principalmente do Flávio Dino, que tem esse sonho de ser Presidente da República, que quer ser candidato em 2030, mas cuja imagem não pode ser queimada”, denunciou o parlamentar maranhense.
Jornalista Luís Pablo denunciou que o automóvel usado pelo ministro Flavio Dino (dir.) pertence ao Tribunal de Justiça do Maranhão.
A ordem de Moraes que levou a Polícia Federal à residência do jornalista, em São Luís, foi uma reação a três reportagens publicadas por Luís Pablo, em seu blog, em novembro de 2025, denunciando que a família do ministro Dino teria feito mau uso de um carro oficial blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão. Dino considerou que o trabalho de Luís Pablo seria um caso de “stalking”, e a PF ficou com um notebook e telefones celulares do jornalista.
“Essas decisões que estão sendo tomadas buscam justamente saber quem é a fonte do jornalista Luís Pablo. E isso é um absurdo, porque o jornalista tem o direito de não revelar a sua fonte, para que possa fazer a matéria. O certo seria investigar o uso irregular do automóvel […]. Isso é o que é errado, porque um carro público não pode ser usado para se passear na praia, um carro público não pode ser usado para se levar filho à escola. Isso é o que está errado, e não ir atrás do jornalista”, avaliou Hildo Rocha.
Projeção como meta
No discurso, o deputado ainda acusa Dino de atuar como ministro em outras frentes políticas no Maranhão e no Brasil, com supostos interesses de projeção eleitoral nacional. E cita como exemplo as decisões sobre vetar penduricalhos salariais e aposentadorias compulsórias de juízes.
Porém, aponta que o uso do veículo utilitário SW4 blindado para passeios do ministro seria, em si, um penduricalho que Dino lutaria para manter, já que o aluguem deste tipo de veículo custaria R$ 20 mil por mês. Além de considerar hipocrisia que já tenha presidido a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), como grande defensor “de tudo que hoje ele condena”.

