
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria se irritado com reportagens publicadas pelo site de esquerda Diário do Centro do Mundo (DCM) e chegou a ameaçar incluir o veículo no “processo fake news”, que poderia ser uma alusão ao Inquérito das Fake News, que tramita há sete anos no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
De acordo com a colunista, os diálogos, realizados em outubro de 2024, ocorreram em meio a negociações de uma possível parceria entre o DCM e o Banco Master. As conversas foram trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, apontado pela PF como um de seus principais aliados.
Nesta quarta-feira (4), horas após ser preso, a PF afirmou que Mourão teria tentado cometer suicídio na carceragem da Superintendência da corporação em Belo Horizonte. Após ser socorrido, ele foi levado ao Hospital João XXIII, na capital mineira, onde está atualmente em protocolo de morte cerebral.
Em um dos trechos da conversa do banqueiro com Mourão, Malu narrou que Vorcaro demonstrou indignação após a publicação de uma matéria do DCM considerada negativa sobre operações de crédito consignado do banco. Na ocasião, ele falou em mandar “fechar” o site e incluí-lo no que chamou de “processo fake news”.
– Estão achando que estão mexendo com menino. Agora não quero lais [mais]. Vao [Vão] entrar no processo [das] fake news. Vou fechsr [fechar] esse site. Manda deixar a matéria. Esses otarios [otários] – escreveu Vorcaro na conversa, segundo registros reunidos pela PF.
De acordo com a jornalista, o trecho do relatório da PF não chegou a fazer uma análise detalhada sobre esse ponto, mas as mensagens poderiam indicar uma possível referência feita por Vorcaro a respeito do polêmico e controverso Inquérito das Fake News, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes desde a sua criação.
Vale lembrar que o Inquérito das Fake News foi iniciado pelo ministro Dias Toffoli em 2019, quando ele era o presidente da Corte. Na época, a abertura foi bastante questionada por ter sido feita de ofício, ou seja, sem provocação de qualquer órgão, como o Ministério Público Federal. Além disso, a escolha de Moraes como relator ocorreu sem sorteio e sem ouvir os colegas de Plenário da Suprema Corte.
Coincidentemente, Moraes e Toffoli são os dois ministros mais diretamente vinculados ao nome de Vorcaro. O primeiro principalmente em razão do contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master. Já Toffoli, por causa do fato de a empresa Maridt, da qual é sócio, ter feito negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.
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