Decisão de Londres ajuda PG, mas dificuldades financeiras se acumulam

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Área afetada pelo rompimento de barragem em Mariana (MG), em 2015 – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.
REDAÇÃO

A decisão da juíza Finola O’Farrell, Tribunal Superior de Londres, negando o recurso da BHP e determinando que a empresa pague 90% dos custos da ação que corre no tribunal britânico, dá um fôlego financeiro ao Pogust Goodhead (PG), que coordena a ação das vítimas da barragem no Reino Unido.

Com a decisão, o escritório de advocacia foi poupado de desembolsar 43 milhões de libras (R$302,6 milhões) num momento de extrema vulnerabilidade financeira, que se traduz em um desequilíbrio brutal entre sua receita operacional e sua estrutura de custos.

O PG perdeu 95 milhões de libras (R$686 milhões) em 2023, de acordo com balanço financeiro, divulgado pela empresa semana passada, após prejuízos de 292 milhões de libras (R$2,1 bilhões) no ano anterior, enquanto sua receita foi de apenas 3,6 milhões de libras (R$26,021 milhões). O reconhecimento da “incerteza material” em suas contas é um sinal de enorme risco na continuidade do negócio e demonstra uma dependência perigosa de financiamentos para manter as operações básicas da empresa.

A saúde financeira do escritório fica pior com um endividamento que ultrapassa os 630 milhões de libras (R$4,5 bilhões). Diferentemente de um escritório de advocacia tradicional, a PG opera sob um modelo de risco total, onde investe quantias vultosas em processos que podem levar anos para serem concluídos. Essa estratégia de “tudo ou nada” deixou a firma refém de fundos de hedge, como o Gramercy, criando uma pressão por resultados que a receita atual não consegue aliviar. Em outras palavras: o fluxo de caixa da empresa hoje é extremamente dependente de novos empréstimos apenas para cobrir o capital de giro diário da companhia.

E a situação piora com a revelação de trechos de uma representação sigilosa feita à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre uma conversa entre o principal sócio do escritório Hotta Advocacia, parceiro oficial do PG no Brasil, Felipe Hotta, e sua equipe, na qual o advogado teria orientado sua turma a não ter medo de ousar na atuação advocatícia do caso. “A gente violou todas as regras da OAB no começo do ano passado e deu nada [sic]”, disse Hotta. O caso está sendo investigado pela OAB, o que significa que o PG poderá ter ainda mais problemas.

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