
Um relatório técnico elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detalhou movimentações que somam R$ 26 milhões realizadas por Fabiano Zettel. O operador, que é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, destinou os recursos a um fundo de investimento que possui conexões com um resort vinculado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os aportes ocorreram durante o segundo semestre de 2022, quando Zettel direcionou o montante ao fundo Leal. Esta entidade controla o fundo Arleen, que figura como sócio de familiares do ministro no Tayayá Resort, em Rio Claro (PR). O Arleen faria parte de uma estrutura de fraudes do Banco Master e dividia a sociedade do resort com dois irmãos de Toffoli. Naquele período, o ministro era o relator de inquéritos sobre irregularidades no Master, tendo assinado decisões que causaram estranheza a membros das equipes de investigação.
Até que as informações se tornassem públicas, a participação do ministro na empresa gestora do resort não havia sido divulgada. Com o surgimento dos fatos, Toffoli deixou a relatoria do caso, que foi transferida para o ministro André Mendonça. A pressão sobre o caso se intensificou após a Polícia Federal obter mensagens entre Vorcaro e Zettel tratando de repasses para a Maridt, empresa da qual o magistrado é sócio. A Maridt ingressou na sociedade do Tayayá Resort em setembro de 2021, enquanto o fundo gerido por Zettel formalizou sua entrada no negócio no ano seguinte.
O levantamento do Coaf indica que Zettel movimentou R$ 99,4 milhões no total, sendo R$ 50 milhões em entradas e R$ 49,4 milhões em saídas, das quais 53% foram destinadas ao fundo Leal. Segundo o órgão de controle, “as movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada”, uma vez que o rendimento mensal do operador é estimado em R$ 66,6 mil. A defesa de Zettel, que é casado com Natália Vorcaro e possui histórico como pastor da Igreja Batista da Lagoinha, não se pronunciou.
O documento aponta ainda que Zettel quitou boletos para sua esposa, tendo o banqueiro Vorcaro como beneficiário final, sem uma justificativa comercial plausível. Para o Coaf, “a conta [do ex-pastor] aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros”.
Essa mesma tese fundamentou a decisão do ministro André Mendonça de determinar a prisão de Zettel na última semana. O órgão também registrou depósitos elevados em cheque e transferências entre contas de mesma titularidade, métodos que, segundo a análise, dificultariam o rastreio da origem e do destino do dinheiro.

