Carlos Viana diz ser indispensável prorrogar CPMI por mais 60 dias

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Senador Carlos Viana (Podemos-MG) – Foto: Andressa Anholete Ag Senado
JUAN ARAÚJO

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, manifestou nesta quinta-feira (18) a necessidade de estender os trabalhos do grupo por mais dois meses.

A defesa da prorrogação ocorre após os desdobramentos da Operação Sem Desconto, que, segundo o parlamentar, evidenciam uma rede criminosa de proporções maiores e profundidade técnica superior à inicialmente prevista.

Por meio de nota oficial, Viana justificou o pedido:

“Diante da dimensão nacional e da profundidade desse esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”

Caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, autorize o novo prazo, a comissão, instalada em agosto com encerramento previsto para março de 2026, deverá seguir ativa até o fim de maio do próximo ano.

A ofensiva da Polícia Federal nesta quinta-feira incluiu mandados de busca e apreensão na residência de Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado. A investigação aponta que o congressista daria suporte às operações de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Embora a PF tenha solicitado a prisão preventiva do senador, o ministro do STF, André Mendonça, negou o pedido, argumentando que a detenção de um parlamentar exige “extrema cautela” devido aos “efeitos drásticos em uma república”.

A operação resultou ainda na prisão de Adroaldo Portal, então secretário-executivo do Ministério da Previdência, que foi prontamente exonerado pelo governo. Também foram detidos Romeu Carvalho Antunes, filho de “Careca”, e Eric Fidélis.

Eric é filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, que, segundo Viana, utilizou atestados médicos para não depor à CPMI, embora seu filho tenha comparecido ao colegiado.

Outras figuras que já haviam prestado depoimento à comissão também foram presas, incluindo os empresários Rubens Oliveira Costa e Domingos Sávio de Castro, o ex-diretor Alexandre Guimarães e Milton Salvador de Almeida Júnior, presidente do Sindnapi.

Para o presidente da CPMI, as medidas confirmam o acerto das linhas de investigação adotadas:

“Foi esta CPMI que colocou luz onde havia escuridão. Rompemos o silêncio, expusemos o esquema, identificamos operadores e revelamos como benefícios previdenciários foram transformados em fonte de enriquecimento ilícito. O que hoje se confirma é o maior e mais vergonhoso escândalo já cometido contra aposentados no Brasil”.

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