
Dep. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). (Foto: Agência Câmara)
Pedro Taquari
O ex-presidente Jair Bolsonaro está movimentando os bastidores de sua base fluminense para promover o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como candidato ao Senado nas eleições de 2026. A articulação surge após o rompimento com lideranças tradicionais do PL no estado, que vinham sendo apontadas como possíveis candidatos ao cargo.
A iniciativa teria partido diretamente de Bolsonaro, que já convidou Sóstenes para conversar sobre a pré-candidatura. Até então, outros nomes como o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), estavam cotados, mas ficaram sem apoio bolsonarista com o novo redirecionamento do ex-presidente.
Com a retirada de apoio a Castro e Bacellar, Bolsonaro endossa o ex-prefeito Washington Reis (MDB) para a disputa ao governo estadual, abrindo espaço para testar nova composição no Senado. Nesse contexto, o nome de Sóstenes se destaca como aposta estratégica do bolsonarismo no estado.
O primeiro passo para viabilizar a candidatura será incluir o nome de Sóstenes em pesquisas de intenção de voto contratadas pelo PL junto ao instituto Paraná Pesquisas. Esse teste de mercado interno servirá como termômetro da força eleitoral do parlamentar, especialmente junto ao eleitorado evangélico e conservador, segmentos nos quais já possui trânsito consolidado.
Sóstenes Cavalcante, que lidera a bancada do PL na Câmara dos Deputados, é pastor evangélico e figura central da Frente Parlamentar Evangélica. Sua trajetória política e seu perfil ideológico apontam alinhamento com a base bolsonarista, o que reforça sua escolha como candidato fiel ao ex-presidente.
A possível candidatura de Sóstenes pode alterar o quadro interno do PL no Rio. O senador Carlos Portinho busca a reeleição e aguarda apoio formal de Bolsonaro. A entrada de Sóstenes na disputa pode tensionar essa disputa pela segunda cadeira da chapa governista fluminense.
Embora o PL detenha atualmente três senadores pelo Rio (Flávio Bolsonaro, Portinho e Romário), o partido não tem garantia de emplacar todos os nomes em 2026. Pesquisas de maio mostram Flávio na liderança, mas a segunda vaga aparece nas mãos da deputada Benedita da Silva (PT), indicando potencial virada eleitoral se a esquerda se reorganizar.
DIÁRIO DO PODER

