
As condições negociadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para depor nesta semana ao Congresso Nacional sobre as fraudes bilionárias do seu Banco Master foram repudiadas pelo relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (Uniã0-AL). Para o parlamentar alagoano, Vorcaro buscaria uma espécie de “depoimento marmita, ao gosto do freguês”. E a comissão que investiga roubos a aposentados, pensionistas e clientes do Master não pode se submeter ao que Alfredo classifica como “capricho” do banqueiro.
“Um Poder que se preza não pode ficar sob a conveniência de um depoente. A transparência e igualdade nas ações da Comissão de Inquérito não cabem na vontade individual ou capricho de quem quer que seja, muito menos do Vorcaro”, disse Alfredo, ao Diário do Poder, nesta terça (24).
Durante a sessão da CPMI de ontem, o relator reforçou as críticas ao habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), que dispensou a obrigatoriedade de Vorcaro depor naquela mesma reunião. Protestou que vive um “bacanal da corrupção” e não sabia que o banqueiro do Master “tinha metade da República no bolso”.
“Eu já não aguento mais todo mundo falando desse rapaz. Mas o que eu acho um absurdo, uma petulância é a justificativa para não vir depor. ‘Só vem de jatinho’. Mas se essa moda pega, ninguém vai ouvir mais ninguém Brasil afora, não. ‘É, vou depor, agora só vou de jatinho’. Isso é uma esculhambação, eu não aceito isso”, criticou o relator.
Negociação
Enquanto Alfredo protesta e afasta qualquer possibilidade de ceder às condições de Vorcaro, Renan Calheiros (MDB-AL) tem negociado diretamente com o banqueiro “termos” de seu depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, presidida pelo senador aliado do presidente Lula (PT).
Entre as opções sugeridas pelo banqueiro estão uma audiência presencial em Brasília, na próxima semana; ou presencial em São Paulo, onde Vorcaro está em prisão domiciliar; ou ainda por videoconferência. E Renan busca discutir tais condições, ainda hoje, com o novo relator do caso, ministro André Mendoça.

