Alegação de Moraes sobre diálogos é fraca e não explica prints de Vorcaro, diz jornal

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Ministro do STF Alexandre de Moraes – Foto: Rosinei Coutinho/STF.
REDAÇÃO

A alegação do ministro do STF Alexandre de Moraes, em nota à imprensa sobre conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresenta lacunas e não explica a maior parte dos textos escritos no bloco de anotações do banqueiro para serem enviados por mensagem a interlocutores, de acordo com reportagem divulgada pelo Estadão.

Segundo Moraes, os arquivos da Polícia Federal compartilhados com a CPMI do INSS, seguem uma estrutura na qual os prints de texto são armazenados nas mesmas pastas em que constam os dados dos contatos das pessoas para quem o banqueiro os enviou.

Contudo, dos sete prints registrados com data de 17 de novembro de 2025, dia da primeira prisão de Vorcaro, quatro estão em pastas sem nenhum outro documento. Entre eles, o print da mensagem na qual o banqueiro escreveu: “Fiz uma correria pra tentar salvar”, conforme destaca a reportagem dos jornalistas Wesley Galzo, Gustavo Côrtes, Aguirre Talent e Vinícius Valfré, que realizaram uma apuração minuciosa sobre as mensagens, os arquivose o trabalho impressionante de investigação da Polícia Federal.

A alegação do ministro do STF Alexandre de Moraes, em nota à imprensa sobre conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresenta lacunas e não explica a maior parte dos textos escritos no bloco de anotações do banqueiro para serem enviados por mensagem a interlocutores, de acordo com reportagem divulgada pelo Estadão.

Segundo Moraes, os arquivos da Polícia Federal compartilhados com a CPMI do INSS, seguem uma estrutura na qual os prints de texto são armazenados nas mesmas pastas em que constam os dados dos contatos das pessoas para quem o banqueiro os enviou.

Contudo, dos sete prints registrados com data de 17 de novembro de 2025, dia da primeira prisão de Vorcaro, quatro estão em pastas sem nenhum outro documento. Entre eles, o print da mensagem na qual o banqueiro escreveu: “Fiz uma correria pra tentar salvar”, conforme destaca a reportagem dos jornalistas Wesley Galzo, Gustavo Côrtes, Aguirre Talent e Vinícius Valfré, que realizaram uma apuração minuciosa sobre as mensagens, os arquivose o trabalho impressionante de investigação da Polícia Federal.

O programa usado pela PF para organizar os dados, que foi compartilhado com a CPI para que os parlamentares fizessem as próprias análises, tem uma forma própria de organização dos arquivos em pastas brutas.

Segundo os peritos, em geral os arquivos se agrupam quando o hash (sequência de vários dígitos que formam uma espécie de “impressão digital” do arquivo) iniciam da mesma forma. Ou seja, um arquivo associado à pasta contato não foi, necessariamente, enviado para aquele contato.

A argumentação do ministro só se sustenta quando os arquivos são consultados fora do programa necessário para a leitura deles. Ou seja, individualmente nas pastas.

O programa é o IPED (Indexador e Processador de Evidência Digital), desenvolvida a partir de 2012 por técnicos da Polícia Federal. Ele é de código aberto e está disponível desde 2019, segundo a documentação oficial publicada na plataforma GitHub.

Os dados extraídos do celular de Vorcaro foram entregues em um arquivo bruto organizado desta forma, com mais de 2,1 mil arquivos; entre eles, o aplicativo IPED, usado para análise

Esse programa é usado pela PF para extrair e organizar dados de celulares confiscados em operações. Ele tem, em sua interface, áreas que apresentam visualizações de “vínculos” entre arquivos encontrados nos aparelhos quando o programa encontra correlação suficiente.

No caso dos prints de Vorcaro, não há apontamento, no IPED, de vínculos com nenhum interlocutor.

DIÁRIO DO PODER

 

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