Governador Paulo Dantas, entre o presidente Lula e o ministro Renan Filho. (Foto: Arquivo/Reprodução/Redes Sociais)
Davi Soares
As bênçãos políticas do ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) ao seu sucessor e afilhado político Paulo Dantas (MDB) não bastaram para evitar que Alagoas despencasse, em quatro anos, da 13ª para a 20ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado nesta semana pelo Centro de Liderança Pública (CLP).
O retrocesso no estado nordestino instalou-se desde que o ministro do governo de Lula (PT) deixou o governo de Alagoas para se eleger senador, em abril de 2022. Renan Filho apadrinhou Dantas para sucedê-lo, quando o atual governador era seu líder governista na Assembleia Legislativa e foi eleito “governador-tampão”.
Em 2021, Renan Filho governava Alagoas em seu melhor desempenho em competitividade, na 13ª posição no Brasil conforme o ranking da CLP, perdendo apenas para o Ceará, entre os estados nordestinos. Já no ano seguinte, sob o governo Dantas, Alagoas caiu a primeira posição, ficando em 14º, em 2022.
A sequência decadente se ampliou em 2023, com uma 17ª posição, que se manteve em 2024. Mas ruiu de vez neste ano de 2025, caindo três colocações, até a registrar a 20ª pior condição para competitividade no Brasil.
Vale destacar a ampla distância da competitividade de Alagoas para o 12ª lugar alcançado pelo vizinho estado de Sergipe. Este que é o menor estado do Brasil em população e território fez um movimento inverso ao de Alagoas. Saltou nove posições em menos de quatro anos do governo de Fábio Mitidieri (PSD), desde a 21ª colocação em 2022.
Ineficiência
Na metodologia da pesquisa, o CLP elenca indicadores considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos Estados brasileiros. Elegendo 10 pilares temáticos, que não envolve apenas a esfera do Executivo. São eles: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.
A Eficiência da Máquina Pública foi o pontos mais negativo para derrocada que fez Alagoas perder sete posições em competitividade entre estados brasileiros. O reduto eleitoral de Renan Filho governado por Paulo Dantas ocupa a 23ª posição neste pilar de análise.
Alagoas perdeu quatro pontos em Eficiência da Máquina Pública apenas desde o último ano. Entre as piores variáveis estão Equilíbrio de Gênero no Emprego Público Estadual (26º do Brasil, perdendo seis posições), Oferta de Serviços Públicos Digitais (25º, perdendo sete) e Qualidade da Informação Contábil e Fiscal (23º, caindo duas).
O quadro crítico somente não foi pior por causa do desempenho positivo medido nas variáveis que não são responsabilidade do governo de Paulo Dantas, a exemplo da melhoria de oito posições em Eficiência do Judiciário (17ª), e de 14 colocações na Produtividade dos Magistrados e Servidores do Judiciário (14ª).
Vitrine Segurança embaçada
A Segurança Pública caiu três posições no Ranking de Competitividade dos Estados, saindo da 11ª para a 14ª colocação. Esta política pública já foi tratada como vitrine para elevar o ministro dos Transportes Renan Filho a ser reeleito governador de Alagoas, em 2018, e ascender ao Senado, em 2022.
Mas a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) destaca que os resultados apresentados têm como base 11 indicadores, com apenas cinco diretamente ligados à responsabilidade da pasta comandada pelo delegado Flávio Saraiva. E cita que as variáveis do déficit carcerário, presos sem condenação e morbimortalidade no trânsito, são relacionados ao sistema prisional, ao Judiciário, ao Detran e à Saúde, o que também impactaram a posição de Alagoas.
A SSP subordinada a Paulo Dantas ainda pondera que o aumento de registros de violência sexual, apontado no estudo, pode estar relacionado às campanhas permanentes de incentivo à denúncia, que vêm ampliando o acesso das mulheres às redes de acolhimento e proteção.