
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), foi lançado candidato ao governo estadual pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, em 2025, durante palestra em uma universidade de São Luís. Na ocasião, ele sugeriu inclusive um nome para compor a vice na chapa. O movimento resultou em pedido de impeachment contra o ministro, apresentado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Camarão é pupilo político de Dino: foi secretário de Educação em sua gestão e indicado a vice-governador quando Dino se candidatou ao Senado. Atualmente, figura nas últimas colocações nas pesquisas eleitorais, sem presença política significatica em todo o Estado, como se exige de candidatura majoritária, tampouco tem “tração” junto ao eleitorado.
No início do mês, o presidente do PT, Edinho Silva, confirmou Camarão como candidato do partido, citando por diversas vezes sua proximidade com o “grupo do ministro Flávio Dino”. No dia 12, Lula (PT) gravou vídeo confirmando a pré-candidatura: “Se Deus quiser, será o nosso candidato a governador do Maranhão”.
Em conversas com aliados e em eventos do PT, Lula costuma reforçar a necessidade de pragmatismo e flexibilidade política. A tônica central é que a sigla deve priorizar alianças e saber “compor” politicamente em regiões ou cenários onde sua força eleitoral direta não seja majoritária. No Maranhão, porém, o presidente faz exatamente o oposto: ignora uma coligação consolidada de 11 partidos e mais de 180 prefeitos para apostar em um candidato sem chances, que figura nas últimas posições das pesquisas.
No mesmo dia 12, Lula posou para foto com o governador Carlos Brandão (sem partido), seu aliado político e institucional, que comanda o estado com mais de 70% de aprovação, segundo levantamentos da Quaest e do Paraná Pesquisas. Brandão lidera uma coligação de 11 partidos que apoia seu candidato, Orleans Brandão, que cresce nas pesquisas e já reuniu 40 mil pessoas e mais de 180 prefeitos em seu lançamento de pré-candidatura.
Dino como “peça política”
Em fala de novembro de 2025, Lula citou explicitamente Flávio Dino como ator político central nas negociações para 2026: “Eu tenho uma relação com o governador Brandão extraordinariamente boa, muito boa. Eu tenho uma relação com o ex-governador Flávio Dino, muito boa.”

