
Nesta sexta-feira (10), o empresário Maurício Camisotti fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal sobre fraudes em descontos aplicados a aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele é o primeiro investigado do caso a aceitar colaborar com as autoridades.
Camisotti foi preso em 12 de setembro, no mesmo dia que Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pelos investigadores como líder do esquema. Antunes segue detido e ainda não firmou acordo com a Justiça.
A negociação da delação vinha sendo feita desde o fim do ano passado e, nesta semana, os advogados enviaram o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Cabe ao magistrado analisar se o acordo foi feito de forma legal e voluntária.
Caso a colaboração seja homologada, o ministro poderá autorizar que Camisotti deixe a prisão e passe a cumprir prisão domiciliar. Até agora, o acordo foi aceito apenas pela Polícia Federal e ainda depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Para validar a delação, o empresário precisa reconhecer os crimes e apresentar provas do esquema, além de indicar outras pessoas envolvidas, incluindo dirigentes e possíveis agentes públicos.
Atualmente, Camisotti está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Antes, ele permaneceu detido na Penitenciária II de Guarulhos.
De acordo com a investigação, ele seria o sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec). A entidade arrecadou cerca de R$ 178 milhões entre 2019 e 2024 com contribuições descontadas diretamente da folha de beneficiários.
Os investigadores apontam que o empresário utilizava familiares como laranjas em empresas usadas para receber e movimentar recursos. A mulher, o filho, dois primos, um sobrinho e o cunhado também são investigados.
OUTRAS DELAÇÕES ESTÃO EM NEGOCIAÇÃO
Outros dois investigados também negociam acordos de colaboração. Um deles é o procurador federal Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro do ano passado. O outro é André Fidelis, que ocupou o cargo de diretor de benefícios do INSS até julho de 2024. Ele deixou o posto após reportagens revelarem descontos considerados irregulares em aposentadorias.
Segundo as investigações, Fidelis assinava parcerias com associações e sindicatos que ofereciam serviços aos aposentados. Em troca, eram autorizados descontos diretamente nos pagamentos dos beneficiários.
O caso veio a público em abril do ano passado, durante a primeira fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União. A ação apura cobranças feitas sem autorização de aposentados e pensionistas.
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