
O rombo financeiro gerado pelas fraudes ligadas ao empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master pode superar em 40 vezes o prejuízo provocado por Jordan Belfort, o famoso “Lobo de Wall Street”. É o que indicam investigações da Polícia Federal, que calculam que o rombo ligado ao caso brasileiro chegue a cerca de R$ 40 bilhões, segundo informações divulgadas pelo colunista Paulo Cappeli, do portal Metrópoles.
Belfort foi um corretor da bolsa norte-americana conhecido por aplicar um grande esquema de fraude financeira e manipulação de mercado nos anos 90 por meio de sua empresa Stratton Oakmont.
Ele e sua equipe vendiam ações baratas e quase desconhecidas para investidores, aplicando mentiras e pressão psicológica como método de persuasão. A compra por parte de muitos clientes fazia o preço subir artificialmente. Em seguida, Belfort e seus comparsas vendiam suas próprias ações, obtendo grande margem de lucro. O preço, por sua vez, despencava, e os investidores comuns eram prejudicados.
Estima-se que o esquema tenha fraudado cerca de 200 milhões de dólares (R$ 1 bilhão). A história inspirou o filme O Lobo de Wall Street, estrelado por Leonardo DiCaprio e dirigido por Martin Scorsese.
Belfort foi condenado em 1999 por fraude e lavagem de dinheiro, tendo cooperado com o FBI na delação de outros envolvidos. Sua pena foi de quatro anos de prisão, além de uma multa de 110 milhões de dólares para ressarcir as vítimas.
Já Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no último dia 4 de março. Segundo as investigações, o esquema consistia na criação e comercialização de títulos de crédito sem lastro – ou seja, ativos e dívidas que não tinham garantia real ou sequer existiam – usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O objetivo era fazer a instituição parecer mais sólida e lucrativa do que realmente era, esconder fragilidades financeiras e continuar captando dinheiro no mercado.
Com esse patrimônio inflado, o banco passou a oferecer investimentos com rendimentos até 40% superiores aos praticados no mercado, o que atraía investidores em busca de retornos mais altos. Segundo as investigações, porém, o banco não tinha base financeira real para sustentar esses pagamentos. O esquema começou a ruir quando o Banco Central do Brasil identificou inconsistências nos balanços da instituição e determinou a liquidação extrajudicial do Master.
Para a PF, foram praticados crimes como organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
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