EUA mantiveram canais secretos com a cúpula do regime venezuelano

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Presidente Donald Trump (Partido Republicano) | Foto: Casa Branca / Domínio Público
PEDRO TAQUARI

Antes da atual escalada de tensões envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos, altos representantes do governo americano mantiveram negociações sigilosas com Delcy Rodríguez, atual presidente interina de Caracas, e seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, segundo apurado por fontes diplomáticas em Washington e em Caracas.

Os encontros, que não haviam sido tornados públicos, foram conduzidos por emissários designados pelo presidente dos EUA, focando em interesses estratégicos de longo prazo, incluindo negociações sobre contratos de petróleo e minerais, além de questões humanitárias como a libertação de cidadãos norte-americanos detidos sob acusação de terrorismo na Venezuela.

Segundo relatos a que a reportagem teve acesso, Delcy e Jorge demonstraram durante as conversas uma postura pragmática, aceitando discutir termos de cooperação que contemplavam a libertação de presos em troca de compromissos específicos.

Parte desses acordos (incluindo a libertação de seis norte-americanos) chegou a ser cumprida em janeiro de 2025, com os detidos retornando aos Estados Unidos em um avião oficial americano.

Os diálogos teriam ocorrido em pelo menos duas rondas de reuniões em Doha, no Catar, ao longo de 2025, em meio a essas conversas, uma proposta discutida envolvia a possibilidade de um “Madurismo sem Maduro”, com representantes venezuelanos propondo uma transição política que preservasse parte da estrutura de poder local enquanto criava espaço para mudanças negociadas.

No entanto, as negociações não foram lineares, autoridades americanas com visões diferentes sobre a estratégia venezuelana (incluindo setores favoráveis a uma abordagem diplomática e outros a medidas mais duras) teriam entrado em confronto nos bastidores de Washington.

A Casa Branca chegou a interromper parte do diálogo no segundo semestre de 2025, em meio a pressões para adotar ações mais enérgicas contra o regime de Nicolás Maduro.

Com a operação militar dos EUA em Caracas nos primeiros dias de 2026, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, o contexto político mudou radicalmente.

Delcy Rodríguez foi empossada como chefe de Estado interina e, junto a seu irmão, passou a ser apontada como principal interlocutora dos Estados Unidos para o futuro das relações entre os dois países, inclusive na administração de setores chaves como o petróleo.

Esses encontros discretos, até então desconhecidos do público, lançam uma nova luz sobre as tentativas de negociação prévias ao conflito aberto entre Washington e Caracas, e mapeiam parte das estratégias diplomáticas que antecederam a atual fase de confrontos e acertos geopolíticos entre os dois governos.

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