
Em entrevista ao podcast Diário do Poder, o presidente da Instituição Fiscal Independente (IFI) e ex-deputado federal Marcus Pestana avaliou de forma positiva e exemplar, ainda que realista, o governo do presidente argentino Javier Milei.
Para Pestana, o pacote de ajustes promovido pelo novo governo foi duro e impopular, mas necessário para retirar a Argentina de uma situação de devastação econômica.
O político destacou que Milei assumiu o poder quando o país já havia “chegado ao fundo do poço”.
“O Milei fez um ajuste selvagem na Argentina, com custo social altíssimo, logo na mesma eleição. As coisas estavam no fundo do poço”, afirmou.
Apesar do impacto inicial, Pestana destacou que a percepção da população argentina, especialmente a mais diretamente afetada, revela compreensão sobre a gravidade do momento. Durante viagem à Patagônia na Semana Santa, o presidente da IFI relatou conversas com taxistas, garçons e funcionários de hotéis, que demonstraram paciência e resignação diante das mudanças.
“Eles diziam: ‘é preciso ter paciência. Nós fomos ao fundo do poço. Para consertar isso vai levar uns dois anos’”, contou.
Para Pestana, o estilo de Milei é agressivo e pouco convencional, mas eficaz diante do cenário herdado. “É aquele estilo, sabe? O Milei passou a motosserra e já tem superado uma situação devastante”, disse, ao destacar que direitos e programas foram afetados no processo de ajuste fiscal.
O ex-deputado também fez um paralelo implícito com a realidade brasileira, observando que medidas semelhantes seriam de difícil execução no país.
“Aqui ia ser difícil, porque ia judicializar tudo e tudo ia ser considerado inconstitucional”, avaliou, ressaltando os entraves institucionais e políticos enfrentados por governos que tentam reformas profundas.
Apesar de reconhecer as dificuldades, Pestana defendeu que não há soluções indolores para crises profundas:
“Não tem como fazer omelete sem quebrar os ovos. Para governar, tem que ter maioria e apoio. Não é fácil”, concluiu.

