MPSP e promotor alvo do PCC cobram agência nacional anti-máfia

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Procurador-geral do MPSP Paulo Sérgio Costa com o promotor Lincoln Gakiya defenderam agência anti-máfia no Brasil. (Foto: Reprodução/MPSP)
DAVI SOARES

A criação de uma agência nacional anti-máfia contra estratégias que levaram o crime organizado a um patamar insustentável de infiltração no Estado e de afronta às autoridades brasileiras foi defendida pelo Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e pelo promotor Lincoln Gakiya, alvo de plano de assassinato da facção PCC, frustrado pela Operação Recon, nesta sexta-feira (24).

Em entrevista coletiva, o chefe do MPSP atestou o entendimento do promotor que é principal algoz da facção paulista de classificar o PCC como a primeira máfia brasileira, de fato, por ter dado demonstrações recentes de que tentam se infiltrar no poder político, em negócios legais e também nas estruturas financeiras.

“Eles usam estratégias de controle de território e de intimidação de autoridades”, alertou Gakiya.

As principais autoridades do MPSP cobram a união nacional para criar a agência anti-máfia que reuniria um esforço conjunto de polícias e órgãos de fiscalização e controle, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) contra o crime organizado. 

Outro pleito foi de maior rigor na legislação contra o crime organizado, como já propôs o Ministério da Justiça e Segurança Pública, para agilizar a expropriação de bens de criminosos e a criação de uma estrutura mais robusta e eficaz que preserve as vidas de autoridades, policiais, com foco nas testemunhas.

“A maneira de se começar a sair disso é endurecer a legislação e dizer claramente à sociedade que temos condições de ser mais organizados que o crime”, disse o procurador-chefe do MPSP, ao cobrar dos poderes públicos a superação urgente de questões políticas e ideológicas, para priorizar a proteção de vidas.

Resposta à ousadia criminosa 

A reação de Paulo Sérgio de Oliveira e Costa e de Lincoln Gakiya ocorreu no mesmo dia em que a Operação Recon frustrou os planos da facção criminosa PCC para assassinar autoridades paulistas, entre elas o próprio promotor de Justiça e o coordenador de presídios da Região Oeste paulista, Roberto Medina, que atua nas unidades prisionais de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, onde está presa parte da cúpula da facção.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a operação resultou em prisões de dois  criminosos flagrados por tráfico de drogas em Presidente Prudente, onde o grupo alugou uma casa a cerca de um quilômetro da residência do promotor. Houve apreensão de mais de 4,3 quilos de drogas, quatro veículos, um simulacro de arma de fogo, 30 munições calibre .380, e R$ 7,6 mil em espécie. Além de equipamentos eletrônicos e anotações.

DIÁRIO DO PODER

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