Acordo entre EUA e China impacta setor agropecuário brasileiro, afirma especialista

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Rubens Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres e Washington (Foto: Amanda Perobelli/Estadão)

Rubens Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres e Washington (Foto: Amanda Perobelli/Estadão)

Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), alerta que a segunda gestão de Donald Trump na Casa Branca traz novos desafios para a relação comercial entre Brasil e EUA. A imprevisibilidade das decisões de Trump, que agora centraliza a política comercial na Casa Branca, torna difícil prever o futuro das tarifas impostas.
Barbosa destaca que a decisão sobre tarifas não é mais uma questão do Departamento de Comércio, mas sim uma determinação direta de Trump. Ele prevê que a aplicação de uma tarifa de 50% ao Brasil pode ocorrer em breve, com impactos diretos nas exportações brasileiras. O embaixador também acredita que um acordo comercial entre EUA e China afetará negativamente o Brasil, já que Trump busca aumentar as compras de produtos agrícolas americanos pela China, o que prejudicaria os exportadores brasileiros.
Impactos das Tarifas
As tarifas impostas por Trump têm como objetivo reduzir o déficit comercial dos EUA, especialmente com a China. Barbosa critica essa abordagem, afirmando que as tarifas elevam os preços dos produtos nos EUA, afetando o consumidor americano. Ele observa que, ao contrário de sua primeira gestão, Trump agora conta com um Partido Republicano que é leal a ele, o que pode intensificar a aplicação de medidas protecionistas.
O ex-embaixador também menciona que a situação política nos EUA pode mudar, especialmente com as eleições do próximo ano. Se as tarifas gerarem inflação e desacelerarem a economia, isso poderá resultar em perdas para Trump no Congresso. A arrecadação gerada pelas tarifas não compensa as perdas fiscais, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade dessa política.
Relações Geopolíticas
Além disso, Barbosa aponta que a relação entre EUA e China está em constante negociação, com os dois países buscando evitar uma deterioração que poderia levar a conflitos. A China, ao suspender a exportação de terras raras, demonstrou sua capacidade de retaliar, o que forçou os EUA a buscar acordos. Esses acordos podem impactar diretamente o Brasil, que já perdeu espaço nas exportações agrícolas para os EUA.
Com a crescente tensão nas relações comerciais, o Brasil deve se preparar para um cenário onde suas exportações podem ser ainda mais afetadas. A estratégia de Trump de priorizar os interesses americanos pode resultar em um “estrago” significativo para a economia brasileira, que já enfrenta desafios em um ambiente global em transformação.

A TARDE

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