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Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia
A eliminação do Bahia na Copa Sul-Americana, diante do América de Cali, caiu como um balde de água fria no torcedor tricolor. Depois de uma sequência de sete jogos sem perder, com cinco triunfos e boas atuações, o revés por 2 a 0 fora de casa trouxe um velho fantasma de volta à Fonte Nova: o do imediatismo.
Mas será que é tudo terra arrasada? É justo questionar um trabalho com base em um único tropeço?
O elenco do Bahia em 2024/2025 não é uma obra-prima, mas é um projeto. E como todo projeto, precisa de tempo, ajustes e paciência. O Tricolor já levantou o título estadual — o primeiro de Rogério Ceni no comando do time. Liderou com sobras a primeira fase da Copa do Nordeste e está a um passo da final. Nas oitavas da Copa do Brasil, mantém viva a esperança de ir longe. No Brasileirão, vem competindo entre os melhores, com desempenho superior a muitos elencos mais caros. A eliminação na Sul-Americana dói, sim. O torcedor queria mais. O clube também. Mas não dá para ignorar os avanços.
É fato que algumas peças importantes estão abaixo do esperado. Cauly, protagonista da temporada 2023, ainda não reencontrou o brilho. Luciano Rodríguez, uma das apostas do Grupo City, alterna bons momentos e atuações apagadas. E o goleiro Marcos Felipe vem acumulando falhas que começam a pesar. Há espaço para críticas — e elas devem existir — mas com o mínimo de contexto. Rogério Ceni foi transparente. E talvez tenha dado a explicação mais honesta do que é, de fato, fazer parte de uma SAF: “Com relação às chegadas, é uma janela de ajustes, não de investimentos. Se tiver uma ou duas peças para trazer, vamos tentar trazer. Temos um bom elenco, talvez uma ou outra carência. Vamos trabalhar com o que o orçamento permite. Como se fosse um fantasy game. Vamos tentando adequar dentro das diretrizes que são passadas para o clube.”
Ou seja, não é porque há um fundo bilionário por trás que o dinheiro está disponível em qualquer esquina. A SAF tem metas, critérios, planejamento. O Bahia não vai repetir os erros de cartolas do passado, que gastavam sem medir as consequências. E Ceni foi ainda mais direto: “Não adianta trazer qualquer jogador. Aí é melhor trazer da base, que pode formar jogadores e até uma eventual venda futura.” Esse é o ponto. O Bahia de hoje pensa o futebol com estrutura. A base está sendo valorizada. As contratações são pensadas com filtro. E o desempenho dentro de campo tem sido, em sua maioria, digno da nova grandeza do clube.
Sim, ajustes são necessários. A torcida tem razão em cobrar mais segurança defensiva, mais regularidade ofensiva, mais personalidade em jogos decisivos. Mas reduzir tudo a um tropeço fora de casa, contra um adversário tradicional e experiente, não ajuda. A temporada ainda reserva batalhas importantes. O penta da Copa do Nordeste está ao alcance. A Copa do Brasil segue viva. O Brasileirão é longo. E, principalmente, o Bahia está firme em seu projeto de médio e longo prazo. Não, torcedor. Isso não é terra arrasada. É apenas uma derrota no meio do caminho. E esse caminho, apesar dos buracos, segue sendo promissor.

