
O hacker Walter Delgatti Neto ao lado de Carla Zambelli ( Foto: Reprodução/Twitter Carla Zambelli)
Rodrigo Vilela
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva do hacker Walter Delgatti Neto, condenado por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, entre eles um mandado de prisão falso contra o próprio magistrado.
Delgatti foi sentenciado a 8 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. No mesmo processo, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi condenada a 10 anos de prisão e teve o mandato cassado. A parlamentar está foragida na Itália desde que recebeu autorização da Câmara para tratamento médico nos Estados Unidos.
Na decisão, Moraes destacou que permanecem os motivos que justificaram a prisão preventiva de Delgatti, decretada em agosto de 2023, como risco à ordem pública e à aplicação da lei penal. Segundo o ministro, os atos praticados pelo hacker são de “gravidade extrema”.
A defesa do réu argumentou que ele já cumpriu cerca de 20% da pena, o que permitiria a progressão ao regime semiaberto. O pedido foi negado por Moraes, que entendeu que a liberdade de Delgatti representa ameaça à sociedade.
O caso envolve a tentativa de inserção de decisões forjadas nos sistemas do Judiciário. Segundo a acusação, Zambelli atuou como mentora intelectual do esquema. A deputada, por sua vez, nega envolvimento e afirma que foi enganada por Delgatti, a quem classificou como “mentiroso compulsivo”.
Além das penas de prisão, os dois foram condenados a pagar R$ 2 milhões em indenização por danos morais e materiais coletivos. Moraes também determinou a inclusão do nome de Zambelli na lista de procurados da Interpol.


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