A vida seguiu, as obrigações bateram na porta e o hobbie ficou de lado, até que um acidente de carro o afastou temporariamente do trabalho como frentista e o fez ter muito tempo ocioso. Foi então que o baiano reencontrou a arte e passou a pintar quadros para decorar a casa em que vivia com a esposa Cida e os dois filhos, que na época eram crianças.
“Eram quadros de paisagens. Meus amigos perguntavam se eu venderia, acho que eles nem acreditavam que eram meus. Comecei a vender para eles e com o dinheiro comprava mais materiais para pintar”, contou.

Eduardo e a esposa em uma exposição em Barreiras, no oeste da Bahia, em 2006 — Foto: Arquivo pessoal
Há mais de 20 anos, no início dos anos 2000, Eduardo decidiu pedir as contas no posto de gasolina em que trabalhava há quase uma década para investir na carreira de artista. Com o dinheiro que recebeu após a saída, ele comprou um carro, colocou as telas dentro do veículo e rodou o sertão baiano vendendo suas artes para empresas, clínicas e escritórios de advocacia.
“Passamos perrengue, dormimos no chão, fomos expulsos de praças, o carro pegou fogo… Pensei em desistir, mas a arte sempre me chamava de volta”, disse.
As redes sociais deram o empurrãozinho que Eduardo precisava. Quando a foto de um de seus quadros viralizou, ele começou a ter admiradores de diversas regiões do Brasil e a receber propostas de vendas e exposições..
Eduardo usa redes sociais para compartilhar o trabalho — Foto: Redes sociais
Com 130 mil seguidores em um dos perfis, o baiano conta com a ajuda dos filhos para fazer as postagens. Foram eles quem compartilharam o vídeo do pai emocionado, após receber a filmagem da mãe, que até comentou que “não sabia se era uma boa ideia postar”.
“Foi um momento muito verdadeiro, de muita emoção, gratidão e respeito. Desde o primeiro traço que ele fez, quando a gente ainda namorava, sabia que ele tinha algo especial”, disse a esposa de Eduardo, Cida Lima.
Se a primeira tela vendida para um desconhecido custou R$ 100, atualmente o baiano tem obras de R$ 12 mil. Quem curte o trabalho, mas ainda não pode adquirir uma das telas ou esculturas, tem a possibilidade de comprar pôsteres, chinelos, canecas, camisas e outros objetos com as estampas de obras feitas pelo artista.

Eduardo e uma de suas obras — Foto: Redes sociais
G1